A mulher e o mercado de trabalho

As relações de trabalho, por si só, já apresentam inúmeros obstáculos para que se consiga alcançar o sucesso. O fato de vivermos em uma sociedade com uma cultura predominantemente patriarcal torna este cenário ainda mais difícil para nós mulheres. Lidar com a pressão do dia a dia acentuada pelo preconceito de gênero, que, infelizmente, ainda existe em relação às mulheres, é um desafio diário, tanto para aquelas que já estão inseridas no mercado de trabalho como para as que procuram inserção.

A grande parte das mulheres, que figuram no cenário atual do mundo dos negócios, não chegaram até ele com facilidade. Muitas não receberam apoio da família, pois foram criadas em uma época em que eram educadas apenas para que cuidassem das tarefas do lar. Não era incomum os irmãos ingressarem nos estudos e as irmãs permanecerem em casa cuidando de afazeres domésticos. Querer estudar, muitas vezes, era motivo de discussões incessáveis com os pais. Querer trabalhar fora de casa era visto pela sociedade com motivo de estranheza. E a ideia de ter o próprio negócio era quase sinônimo de loucura.

Felizmente, com o passar dos anos, esta realidade tem mudado. Ela não apenas está relacionada com a busca por melhores condições financeiras, mas, principalmente, pela independência, algo que por tanto tempo foi negado. Desta maneira as mulheres estão, cada vez mais, presentes no mundo dos negócios e passaram a ocupar espaço em grandes empresas e nas diferentes áreas do mercado.

Movidas pela paixão, elas se entregam com alma aos estudos e aos negócios, buscando a excelência profissional. Possuem uma agilidade que as fortalece para que deem continuidade a seu dia a dia com os afazeres familiares na chamada dupla jornada de trabalho. Assim, se dedicam à família e conciliam momentos de prazer com quem amam.
No cenário atual, as mulheres empreendedoras têm inúmeras características em comum, mas, ainda assim, possuem perfis distintos. Segundo dados de pesquisas realizadas com mulheres empreendedoras, pode-se notar que o movimento de inserção no mundo dos negócios partiu da mesma geração: a maioria delas têm entre 40 e 50 anos; a maioria delas é casada, o que efetivamente mostra que elas não deixaram de lado seus desejos pessoais e projetos de vida.

Em relação ao setor de negócios, também se apresentam diferenças: As mulheres das classes C e D investem, com maior frequência, na área do comércio, na qual elas podem empregar seus conhecimentos do dia a dia. Já as mulheres da classe A e B optam por investir no setor de serviços, onde empregam seus conhecimentos acadêmicos.

Ao analisarmos o contexto histórico e atual, que envolve o mercado de trabalho, fica claro que a mulher empreendedora é uma pessoa comum que superou muitos obstáculos para chegar onde está e que, dia após dia, aprendeu a lidar com as diferenças, muitas vezes acentuadas pelas características culturais da nossa sociedade e outras pelas dificuldades econômicas de aperfeiçoamento. A caminhada é longa e o que nos alegra é que crescimento da participação da mulher no mercado de trabalho está em evolução.

Por Julia Medin Liviera




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